sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

...não existe() preservativos (um curto conto da paraconsistência)



 Dentro de um cofre havia um gato. Tinha também um bujão de gás (metano). Do lado de fora, não sabia se o pobre pet sobreviveria ou não. Obviamente não! Hermeticamente fechado, não teria ar suficiente. Outrossim: gás metano. Não há paraconsistência, o gato obviamente viria a morrer. 
  Paguei uma nota para arrombarem o cofre. "Cofre nazista". Bem, o gato sobreviveu, mas o maçarico esquentou demais o aço e quase cozinhou o pobre bichano. Além de fazer "bunito" para as entidades protetoras dos animais, descobri também que o metano não é explosivo. Como isso é possível?! Paraconsistência filho, paraconsistência...
  Aliás, o outro eu que narra esta história (o outro lado da para-c..., a que descobriu que metano é altamente inflamável pelo pior caminho), pode afirmar (com testemunho juramentado do gato), que no paraíso... 


  ...não existe() preservativos. 

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Capítulo XXVII - Réquiem (Parte Final)

1,2,3...

"Não tema, não se desespere;
Não é para sorver lágrimas.

Repouse e perceba a dor ir embora;
Siga o calor desta luz.

Não é como dizem;
Não lute, não resista.

Pois a morte é uma amiga;
Que esteve sempre aqui,
esperando por ti para levar-te embora"

3, 2, 1...

Fim e re-começo

Escrito e composto por Calibam

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Capítulo XIV - A Torre Quântica



 Uma Torre Quântica não é propriamente uma "torre". Não é uma construção redonda ou prismática, alta e estreita, erguida em direção aos céus. Aqui, a TQ, é construída para baixo, em direção ao núcleo duro. Não é um buraco, pois sua base inversa se relaciona às medições de variáveis complementares, tais como a posição e o momento e o mais importante, "a circunstância''. Exagerado um "círculo de circunstâncias" que podem ser facilmente confundidas com sombras platônicas, o que não são. Já foi chamada de "Deus", "Destino", "Predestinação", mas tudo não passa de um complexo sistemas de iguais infinitesimais intocáveis pelas variáveis, assim, mesmo que se molde o/ao tempo (aqui concebido como massa de modelar) futuro-presente e vice-versa, ela é imutável. E, até segunda teoria, chamemos-a "Torre Quântica Concretista", pois, caso sobrevenha contraprova retomando a antiga e falha lei distribuitiva, poder-se-ia conceber-se a Torre Quântica Abstrata. Como isto ainda não aconteceu, seguiremos com a ordinária:


 Le Postillon, de Adolphe Adam não soava doce aos ouvidos de Um. Os intrincados elementos angelicais das óperas não entram na mentalidade ordinária dos brasileiros em geral. Somos todos uns funkeiros mesmos! Uns imprestáveis e merecemos este zé povismo por demais emaranhado para se extirpar. É o nosso câncer.
 Na campanha é preciso onipresença, onisciência e se possível, onipotência. Cercado por um batalhão de assessores, puxa-sacos, seguranças e aspones, a propaganda ia às mil maravilhas. Os discursos inflamados, preferencialmente os improvisos eram ótimos, ainda assim, a programação cultural para fazer 'corpo a corpo' com o eleitorado patronal já é um tanto sacal. Com o povo, tudo bem, pratos nojentos e beijos remelentos, mas era outra coisa. Em contrapartida, esses programas por demais pomposos cingiam num tédio desmedido. Ópera! ÓÓÓÓÓperaaaaa Chaaaaatooooo...
  
  Um está lá, Seis trabalha nos bastidores, cava por baixo. Dez está com ele, sempre. 
  6: - A candidata do meio ambiente subiu nas pesquisas. 
  Garganta: não está tão fácil pra vocês. 
  6: - Engraçado, então não sei o que estou pagando. Seus préstimos parecem um tanto defasados no momento. Isto me obriga a demiti-lo. 
  Garganta, ciente do significado de "demissão": - 3 corre por fora, está usando o dinheiro de vocês. Ela derrubou o governador de Brasília. Usou o testa. Vocês não têm nada a oferecer, ela pagou melhor, trabalhamos para quem paga melhor. 
  Seis pede a Dez que busque sua pasta, vira-se à Garganta: -Bem, da morte não teme tanto quanto contrariar os seus, safado. 
  Garganta: - Existem coisas piores que a morte. 
  6, sereno: - É, existem. 
  Dez lhe entrega a pasta. Um bela quantidade de dinheiro. 
  Garganta: - Parabéns Senhor, acabaste de ganhar mais uma eleição. 


  Garganta é 10.000.045, mas estou um tanto mandrião para digitar. Pequeno, pardo, corpo mirrado, barba por fazer. Segue solitário com seu grosseiro terno de risca de giz. É perfeito, ninguém suspeitaria. 


  10: - Mesada do meu avô?
  6: - Correto. Notou algo?
  10: - Não.
  6: - Os macacos, os miquinhos são animais selvagens, podem ser domados, mas não podem ser domesticados. 
  10: - i?
  6: - Quanto se habituam a ficar perto dos humanos, ficam muito atrevidos, invadem as casas, roubam comida.
  10: - Por que tá me falando isso?
  6: - Porque é preciso pegar um deles e matar a pauladas na frente dos outros. 
  10: - Porra! Mas pra que isso tudo, por que isso?! Que maldade.
  6: - Pra mostrar pros outros que não somos amigáveis. Assim eles não voltam nunca mais. 
  
 Seis saiu e Dez ficou...  
 Isto vai doer Garganta, vai doer pra valer. Nunca se esquece uma traição, por menor que seja. É preciso dar o exemplo aos outros.


 Dois já sofria os efeitos do crack. A terrível magnitude dos 5 minutos. O demônio já acessara o corpo, espalhava o vírus rapidamente. Ele controla, ele manda ir em frente, ele manda, ele comanda, ele ele ele...
 Oito sugerira, mas Dois segurava. Era difícil, o dinheiro mingua rápido. É preciso se sustentar. Sustentar o insustentável. 
 Os pedreiros tão rápido tornam-se zumbis. Diferentemente do pó, que pode tomar anos de uso para adentrar o abuso, a pedra é amor à primeira vista. Oito sabia o que fazia, ao sugar mais uma existência vazia, Dois. 
  Oito já era da favela. A rua chamou cedo, foi sem medo. Cola de Sapateiro, Conha, Farinha, Manguaça... Mas a pedra, ahhhhh, a pedra... a pedra é barata. Está sempre disponível. Na cracolândia, nos hotéis da cracolândia, com a meninas do crack. Safadeza! Safadeza com as meninas!! Cancro. 
  Sugeria limpar a casa de Um. Dois em reflexo chiou pela loucura. Mas para os cabeça-de-pedra não existe loucura, existe o fazer, existe o agora, existe a urgência da droga. Droga é uma droga, mas se é uma droga por que tantos usam?
Droga!    

3 sabia como cortar 1 da campanha. Não bastava ser ex-mulher, pois não existe ex-sogra. É para sempre. Penso até como um pedaço do inferno no plano terreno. Simplesmente descarregar o pente na face não adiantaria. Você até pode conseguir matar, mas alma retorna para lhe atormentar "eternamente". Não há macumba, mandinga, trabalho que faça ir embora. Pois, quando se assina o documento no registro civil, está assinando: minha inimiga. Depois do divórcio? Pior ainda: minha PIOR inimiga. Inimiga figadal.


  Só se gasta as burras para se lavar a égua. Despender doze mil reais em um mês de desintoxicação numa clínica, é preciso ser bom. Por falar em bom, 4 já carreava bons anos de vícios. Sua boçalidade tornara-se insuportável. Na vida, alguns inúteis cansam de ser(em) inúteis. A futilidade lhe chegava a doer os culhões. Tudo o que dizia, pensava, sonhava... palavras ao vento. Ninguém levava a sério. Um imbecil, diziam. 
  Apesar de degustar todas a "...ínas", dessa vez seria diferente. Desta vez ruminava uma coisa que se aproximava rusticamente de algo parecido a uma ideia. 
Obviamente não seria como seu pai, todavia poderia ser sua so(m)bra. Sair do ostracismo, agir, atingir... ser, uma vez na vida, significante. E começaria a partir do momento em que limpasse a mente. Hummm... Ou o que restou dela. 



segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Capítulo XIII - O Bom calado é subjugado pelo Mau, o Mal grita.

Por toda sua vida 5 militou numa causa que hoje mal sabe o porquê. Foram tantos meios, que mal compreendia-se os fins. Odiou e defendeu 1 com toda suas forças. Levantou suas bandeiras, distribuiu seus panfletos, apitou contra sua oposição. Em suma, percorreu todo o circo que a militância política nos obriga a percorrer. Porém, o fio perdeu-se da meada...

Sua vidinha podre, seu corpo decomposto em nome de um devaneio pseudo-sabe-se-lá-o-que era. Dói perceber a própria inutilidade, a fraqueza e o desperdício da vida. A juventude ensacada e enterrada -não volta mais-. A vida passou.

A ignição acabara sendo dada ao perceber que traiu tudo aquilo que um dia acreditou.

Ser tolamente convencido por alguém com tão baixo intelecto como 4 era o que lhe doía mais. Pelo seu rancorzinho juvenil, entregou documentos que carregou a vida inteira, jurando esconder e proteger. Estava cansado, porém, ao mesmo tempo estranhamente aliviado. Perder mais do que tinha seria mendicância, não poderia ficar pior. Força meu camarada.



10 é muito verde, muito jovem. Ainda está na fase de ser contaminado por ideologias e repentes de euforia. 6 analisava seu pupilo. Sentia que haveria de amargá-lo. As tratativas de 1 com o asqueroso 9 havia sido um bom começo, mas precisava de mais.

1 aparece. Constrangido, mas eufórico:

-espero não ter contraído Aids quando a camisinha furou!

Seis, com seu contumaz sorriso sarcástico: -fechou ou não fechou?

Um: Meu c*, não, tá arregaçado!!

Seis e Dez riem, estão leves, tiraram o seu da reta.

Um também ri, 1 é um bom político, sabe se prostituir.

1, triunfalmente, como se declamasse às multidões, o mais teatral possível:

" meu povo brasileiro,

povo sofrido..."

Enquanto 1 contorcia sua cara em seu discurso imaginário, 6 para 10: quanto mais hemorróida mais convincente fica.

Dez sorriu mais uma vez.



O Senhor do Partido sentava-se sozinho. Está em uma das raras ocasiões em que permite-se não usar gravata. No tórax nu, percebem-se diversas medalhas de variadas entidades "protetoras". Nesta profissão há de ter proteção.

No Hades, acabara de ser informado de que 3 haveria de financiar a campanha da candidata do meio ambiente. E isto não pode acontecer. Mulher e Meio Ambiente?! Tinha asco!

Mulheres são bestas, Ecologia é atraso, dizia.

Havia também os outros dois candidatos: o seu e o que não levaria. A era das difamações públicas ficara para trás... bons tempos...



Não era cacique do partido, mas dado às leituras. Lia de tudo e tinha prazer pela manifestações culturais locais. Seu irmão mais velho estava destinado à política local, fora preparado pelo pai, pelo avô, pelo bisavô assim por diante. Por ser o segundo, não recebeu os privilégios dos primogênitos. Dessa forma tinha tempo livre para se dedicar às amenidades.

7511 era o candidato local da oposição. Com a ajudar do senador, seu irmão levaria. Não costumava participar de campanha, observava preguiçosamente à distância.

Uma semana após a eleição, obviamente fraudulentas (dispensa-se maiores comentários) e com suporte federal, seu irmão ganhara... mas não levara... fora assassinado no primeiro pronunciamento público como candidato eleito. O velho discurso: moradia, saúde e educação.

O caciquinho não sabia, não era vice, mas uma espécie de suplente. Haveria de assumir.

Uma semana após assumir, 7511 fora tocaiado.

Nunca mais abriu um livro na vida.

8, após catar todas as latinhas na beira da marginal, dormia embaixo de um  pontilhão. Certas pessoas 'são' porque querem, outras não. Infelizmente certos estragos jamais se recuperam. Certas vítimas metamorfoseiam em algozes. Quando a rua torna-se limpa, aconchegante e um bom lugar para se morar, é sinal de algo vai mal: 

Oito não conheceu o pai, mas fez doutorado em padrastos. Tão clichê quanto meu texto, foi o círculo vicioso da violência doméstica à ruptura familiar, à rua, à cola, à internação pelos atos infracionais,  à maioridade, à prisão.  Não existe salvação, é o que está aí. Aí estava Oito, entregue à própria sorte, entre a mendicância, o furto, o roubo... reproduzindo a escalada da violência que conheceu deste sempre. Catava latinhas ao fim de suas pedras. Era ruim de assalto, o último lhe rendeu anos de reclusão em virtude do latrocínio. Era melhor lá dentro, porém difícil arrumar mulher. Agora 8...
...conheceu 2. É a sua chance de se arrumar. Sua cabeça confusa ainda conseguia funcionar em prol da malandragem.  Honestidade?  Não é que não saiba, simplesmente não  conseguia compreender.

E por que haveria de compreender?

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Capítulo XII - Despeja-se o Magma Cítrico

 2 não assimilara a sabedoria da vida. Com sua compulsão por malandragens há muito viciara-se em seus usuais pequenos golpes.
 8 não assimilara a sabedoria da vida. Da esperteza dissolvida pela manguaça e posteriormente por pedra (levaram tudo). Agora só força bruta de um cérebro que não consegue fazer a menor força. O peso dos músculos malhados à carroça contrastam com a frivolidade dos pensamentos morais. Superego nulo.
Duas mentes que não valem por uma não podem compor plano mais paupérrimo: saquear a casa do patrão, sob a justificativa de anos de exploração! Assim, de sopetão! Planos mirabolantes que surgem depois de coitos consumados, depois de consumos de substâncias, depois de qualquer coisa.... projetos paridos de sustos tentem a desmoronar tal qual castelos de biscoitos de polvilho.
A lhanura de tal improvisado plano de furto é azo para lotar as cadeias nacionais. Se for para ser burro é melhor ser honesto. Infelizmente a safadeza fala mais alto. E tem passado de 80 decibéis ultimamente.


 12 era jardineiro. Tinha na face as rugas do titã Atlas. Uma infância e juventude tão miseráveis quanto  de Dois. Sua miserabilidade traduzia em suas roupas ordinárias de cores cáqui e outros tons sóbrios. Tecidos pesados, como suas mãos, como seus pensamentos. Não conseguia falar muito. Ouvir, ouvia, mas ignorância alheia lhe doía aos ouvidos. Por duas vezes na semana, ia à casa de Um para tratar do exterior da propriedade. Não lhe davam nem um copo d'água, nem mesmo Dois. Bebida da torneira mesmo. Estava acostumado. Não perguntava à Deus das agruras  da vida, simplesmente passava por elas sem se queixar. Era honesto, apesar de não precisar. Era sábio, apesar de também não precisar sê-lo. O tempo foi duro com sua pessoa, mas não devolvia ao mundo seu pesar. Digeria tudo e devolvia em jardins ornados, paisagens deslumbrantes e flores raras. Flores que não cobrava para colocar, colocava-as de graça, só recebia pela poda e corte da grama. Certamente devia ser um artista, pois aformoseava seus canteirinhos com delicadas poesias florais.
Um ganha pão extraído de todo esterco que levava para o labor diário, cavucando a terra, lama, suor... Tinha  direito ao sono dos justos, pois quando terminava sua alma estava limpa e tinha a plena sensação de dever cumprido. Só não conseguia dimensionar grandiosidade de sua obra... que ficasse para os outros.
Doze só não gostava da corrupção do homem. Não tivera ensino religioso, muito menos gostava de religiões. Detestava-as todas. Porém seguia seus mandamentos sem saber. Passou fome e não roubou, teve ódio e não matou... simplesmente nasceu assim... sábio e bom.

 Três estava independente. Com dinheiro, com amantes e com poder. Era o ápice de seu proselitismo feminista. Girl Power. Era preciso agora colocar seu nome na Capital. 
Só era paradoxal trair seu ex marido sem o menor pudor e ainda acusá-lo de seu crime ao mesmo tempo que estava livre para trair o seu partido, mas não conseguia (?!). Por que?  Sua perfídia conheceria algum limite? Ou era apenas um momento de tédio?
Vai saber.

-Como pôde 3 ter sido tão cadela?!
A misoginia retumbava no ancião, o Senhor... Vossa Santidade.
O rosto sereno e o bigode bem aparado. Um rosto de "tudo bem".
Tudo bem, mas ele não esquece, o partido não esquece, os políticos em geral não esquecem. São como os juízes... rastejam para se vingar, comem poeira... se vingam calados, mas se vingam bem. 'Tudo bem'.
Quanto mais asquerosos melhor. Aqueles que têm nojo não querem se misturar, melhor para eles, pois quem não põe a mão na merda será inevitavelmente governado por um. Daí não serão as mãos, será então o pulmão, o ar, a tevê, a internet, sabe-se lá mais o que?!
Três sabe lidar com eles. Partindo do princípio de que sabia a arte da escatologia, bastava uma luvinha de borracha e mãos-à-obra! De moedinha em moedinha fazia sua caminha. Pecunia Non Olet: O provérbio mais sacrossanto dos brasileiros. Todos sem exceção. Todos. Todos são Três. Todos nós somos Três. 3 somos todos nós.
Talvez para o mais velho deles 3 fosse uma cadela, mas para a cadela... era terça-feira.

Plágio!



 

 

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Capítulo XI - Eleva-te, sustenta-te...

Onze é um atrás do outro. Atriz, alta, amável... fileiras de homens em seu encalço (um atrás do outro). Trabalha em novelas, atua no teatro, faz comerciais de imóveis e ganha muito bem para isso. É queridinha dos programas dominicais, daqueles de fazer chorar.
Tem uma pequena queda por drogas, mas nada que arranhe sua resplandecente beleza.
Carrega em seu currículo dois casamentos, o primeiro com um conhecido diretor de novelas (filho A) e após o biênio, um banqueiro (e mais outro filho, B). Dois anos já o suficiente.
Uma outra quedinha por pílulas e barbituricos também não é o suficiente. É preciso coroar a formação, é preciso garantir a aposentadoria: um político.
11 finge não ver o bissexualismo de 7, afinal já saira com gays. Sete comparece, Sete é proteção, Sete é poder. E não existe tesão maior do que poder.
Doze, produtor de filmes, por exemplo, nunca a comeu. Tomou-a como protégé. ensinou tudo o que sabia, acompanhou seu crescimento artístico, mas nem um mísero beijinho. Sem poder sem tesão, simples.

Cinco despedaçou-se quando descobriu. Oitenta e Cinco e Um, juntos! Aquela puta!!
Sentia o sangue negro do ódio percorrer-lhe os vasos capilares. O
animus necandi vir-lhe à mente. Ao mesmo tempo que apercebia-se de sua insignificância... "sem poder sem tesão". Era um secretário, recebia ordens, subalterno, que mulher gosta de um servente? Doía demais, mais do que podia aguentar.
Mas era um omisso, um fraco, um frouxo. Tanto tempo no partido, dividido, dominado pela máquina, já não havia o que fazer; ir para os cantos e lamber as feridas, gritar para que quiser ouvir seu pequeno odiozinho contra Um. Podia aguantar sim. Todos suportam, por que não suportaria? Tinha algo a perder, sua ira pequeno-comunista. Suas bandeirinhas sociais, sua pequena corrupção estilo "fins justificam os meios", seus pequenas hipocrisias (idiossincrasias).
-Tolerarei pelo partido!
Era uma boa desculpa. Que babaca.

Um sai da sala choramingando. Teatro. O importante é a grana. Garantir a campanha.
Nova telefona para sua mulher (o maior metro quadrado de jóias do Bra'Z'il):
-Querida, estou indo pra casa, precisa de algo?
-Queijo de Alce.
-Algo mais?
-Não.
-Ok.
É assim, mais afetuosos impossível, apesar que soar melhor a muitos casamento por aí.
Solicita o ajudante de ordens, ordena a compra do moose cheese e aproveita que este faça uma cópia duma fita que acabara de gravar. Só pra garantir, "o seguro morreu de velho", sempre dizia.

Cinco carregava um pacote pardo, todos sabem o que um papel pardo significa. A humanidade é idiota. Caga na água que toma, nem os animais (fora os peixes) fazem isso. Documentos essenciais num papel pardo.

10, mais calmo: -o que realmente aconteceu?
6, -9 é um líder nato, pode-se odiá-lo, mas é difícil questionar seus métodos.
10, impaciente: mas o que aconteceu p...?!
6: uma garantia, arras, um sinal... 9 quer ter certeza que não perderá. Ele nunca perde. Precisa de um dossiê, ao invés de ir ao mercado comprar um prefere fabricá-lo. Da mesma forma, expõe que está no comando da situação, é o macho-alfa agora. He he, uma pequena tacada para diversos coelhos. Um verdadeiro mestre.
10, um tanto enojado: -jamais faria isso, é como vender a alma pro demônio. Esse cara é o verdadeiro belzebu.
6, sarcástico pela ingenuidade do estagiário: duas lições meu caro jedi, a primeira, em política não existe o advérbio "nunca"; em segundo lugar, já vendestes... Avise o velho. Diga que deu tudo certo.

caaaatiiiiingaaaa.
Nuvens de poeria e espinhos.
Não é deserto, mas também não é cerrado. É errado, é certo.

Não é por ser o ciclo da seca, muito menos pela miséria. Dois odiava água parada, água barrenta, sinônimo de doenças... A molecada entrava, mas tinha tino de perceber o que viria. Todos os onze irmãos barrigudos, inchados, infestados de vermes. A esquistossomose era severa naquela paisagem áspera, era rezar para não pensar.
Um dia se compra um sonho para o paraíso. Num manjadíssimo pau-de-arara. A caralhada em caravana, rumo à terra do leite e do mel.



quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Capítulo X - No Caminho do Cisne

No mesmo país, duas estações. O norte e nordeste, úmido e calorento. Sul frio, sudeste temperado. Centro-oeste seco e quente. No lago gelado cisnes (de-pescoço-preto); tão leves que parecem papel sobre a linha-d’água. Exceto pelo vento, que diminui a sensação térmica ainda mais. Ondulando um tantinho o imenso lago no suleiro parque. Num banquinho de madeira uma solitária figura fuma seu lenitivo cigarro. Quem não fuma não entende a maravilha do tabaco. A fumaça no frio acalenta os pulmões, assim como uma leve sensação de euforia e bem estar invadem cérebro. Tudo fica bem, os pensamentos ficam mais claros, tudo é passível de ser administrado. Os neurônios parecem mais vivos do que nunca. Como é bom...
Sete, encapotado em seu sobretudo preto, fuma cigarros light. Precisa mexer as peças, está particularizando uma estratégia. Perdeu seu candidato, vai precisar alugar outro (Um). É pouco. Existe outra ameaça também. A candidata do partido do meio-ambiente. Sim... perigosíssima. Candidatura de última hora, rápida catalisação nas pesquisas. É preciso fazer algo...
Liga para Três.

Após uma campanha maravilhosamente bem sucedida, Cinco era secretário da cultura. Respondia diretamente ao seu “amigo” e recém eleito Um. Nada era impossível, um rolo compressor, uma força que dizia à montanha: - afasta-te! E ela se desfalecia.
A honestidade era o lema, era a lei. Eram mais que os outros, eram diferentes, eram o novo, eram os super-poderosos (os foderosos). Tinham suas estrelas na agremiação, Um, por exemplo; suas foices que ceifavam os fariseus do mandato anterior (que eram como cães deitados nas manjedouras dos bois. Não comiam, nem deixavam os bois comer),por fim, os martelos, como Cinco trabalhavam como burros de carga no engajamento das “causas” que chovessem em seus jardins. Fé cega.

Nove em meio aos seus, hum..., asseclas ditava as próximas medidas. Desoneração fiscal, reclames de repasses e super-faturamento na obra do anel viário. Só se põe o primeiro cimento, quando todos os pingos estiverem nos is. Era impressionante sua capacidade intelectual, os planejamentos, as diretrizes, a frieza e inabalável calma ao lidar com os problemas. Na dialética de 9, só cabia contra-argumentar monossilabicamente (hum), no máximo, amém.
Chegam à távola redonda, Seis, Dez e Um, cumprimentam todos os presentes pelo nome (o egípcio livro dos mortos foi de grande utilidade aqui). Nove, somente acenando, analisa, prepara sua estratégia:

Seis, começando: -Senhores, acho que não é mais segredo para ninguém aqui que estamos em campanha , e Um é nosso candidato.
Nove: -E qual seria o motivo de tão cordial visita, se não para pedir dinheiro.
Não tem papas na língua, é bom em constranger e sumarizar o assunto. Daí sua grande capacidade para negócios.


Um, em retomada: -estamos dispostos a ceder.
Nove, à Jaba, The Hutt: o quanto?
Um: 25% das licitações. 100% da merenda escolar.
Nove, muito bem informado por sinal: -Não vai recuperar o prejuízo que deu ao teu partido. Estamos com 365, a candidata do meio-ambiente. Desista vá embora.
Seis, nervosamente testa antes que tudo se perdesse: -Senhores... senhores calma. Acho que podemos chegar a um meio termo. Não podemos ceder totalmente a construção civil, realmente temos esse prejuízo. Todavia, garantiremos a merenda, com exclusividade (frisando exclusividade). Em um ano podemos reerguer para a campanha presidencial. Existe um bônus senhores... é... sim, existe um bônus... os medicamentos do sistema de saúde. Retiraremos as câmeras, e colocaremos nosso pessoal. Os medicamentos serão exclusivos de Vossas Senhorias, assim, que recuperarmos o dano, ruas, casas populares; porém só o suficiente para encostar no limiar da lei de responsabilidade. O valor de V.Sas. é X!
Nove: -hahaha, muito pouco.
Seis: -Como!? Demos tudo, é mais do que o suficiente. O que mais você quer?
Nove: -Fidelidade.
Seis, Um e Dez, olhando uns para os outros, sem entender.
Nove, em continuidade: -quero fidelização, certeza absoluta que mais pra frente não serei passado para trás.
Seis: -... tem a nossa palavr...
Sem conseguir terminar.
Nove, peremptoriamente: -Senhores, saiam! Um fica.
Todos os asseclas encolhem seus ombros e como cachorros colocam seus rabos entre as pernas caminham para fora.
Seis entendendo o que está para ocorrer, começa a tremer.
Dez, em cochicho para Seis: - o que vai acontc...
Seis: -cala boca! Vambora.
Um: -onde vocês vão?
Seis: -desculpe, mas vai ter que passar por isso. Nada aconteceria se não fosse culpa sua.
Um: eu... eu... como pode?!
Seis, encostando a mão no ombro de Um: -meu caro, ou é isso ou é a morte.

Seis praticamente sai empurrando Dez para fora da sala: -vamos esperar na rua.

Um em desespero vê Nove ligando uma câmera: -Vire-se e encoste na mesa Um!
Assim que a câmera é ligada Um começa e ser sodomizado.

Quatro, dentro do muquifo de Cinco:
-Não podemos deixar isto acontecer, leve os documentos para Sete.
-Pra que? Não quero, vamos esquecer.
-Meu, meu pai disse. Disse que você tinha a papelada. Só Sete pode deter Um nesse momento.
-É jovem, e é idiota. Vá.
-Olhe pra você! Que decadência, que porcaria. Poderia ter tudo e está aí, caidão. Fazendo papelzinho pro partido, jogado pra escanteio. Em troca do que? Ideologia de m...
-Cala a boca! Sabe de nada.
-Direi a Sete, que aceitou, é pro seu bem.

Quatro saí. Sete lhe dera o caminho das pedras, agora é só esperar acontecer. A raiva só aparecerá quando Cinco vir Um na tevê, todos os dias no horário político. O coração dos homens é sempre igual. O orgulho e a vingança.

Quem conhece o pai e mãe pode ser chamado de filho de uma prostituta?

Acho que não.

Foi de repente. Cinco adentrou o gabinete de Um vislumbrou Oitenta e Cinco de joelhos ante 1. Foi como uma chibatada no músculo cardíaco. Com a testa fervendo, nada mais importava, o que iria fazer lá, o que ia falar... saiu correndo.
Todos os pensamentos atravessando suas ideias, as lembranças, o que achava que sentia, o que achava que sentia por ele, o orgulho, o desespero, mas principalmente, a impotência. A maldita sensação de que não é bom o suficiente para dar tudo o que 85 precisaria. A fidelidade, a paixão com que adentrou na causa... Nada a impressionara? Sou pior do que Um?
Quando não se aceita ser corno é muito pior, pior porque reflete em todos os atos da vida civil. Tudo fica uma b...

A estrela se apagou. Cadente... caiu.

Aproveitando a saída de Um, Seis e Dez, Dois e Oito aproveitaram para se encontrar no quartinho de empregada. Abafado e úmido, era perfeito para um coito vespertino. Após o ato em si, 2:
-Como você conseguiu estes músculos?
8: -De tanto puxar a carroça.
2: -Puxa muito, meu gato?
8, com seus poucos dentes: -Às vezes o dia inteiro (com um certo orgulho).
-Muitas vezes sem comer nada.
2 impressionada: -E como você agüenta?!
8: -Com isto.
Saca um saco plástico com pequenas pedrinhas brancas. Dois se assusta:
-Meu Deus, que que é isso?!
8: -pedra. Pra tirá a fome, pra trampar...
Dois cada vez mais assustada:
-Num quero isso aqui não. Tira isso daqui.
Oito, dando a menor pelota, tira um cachimbo do bolso e queima a primeira pedra (barulhinho típico). Vira o cachimbinho para Dois, nervosamente:
-Se não der um aqui te encho de porrada! Fuma esta m... Se fumar uma só eu saio.

Só que uma só já é o bastante. Mesmo que não se trague, o calhau traz a euforia e uma pequena sensação de que tudo-pode, tudo-se-faz... um certo bem-estar. A primeira é sempre a mais inacreditável, é a melhor....

Sete termina seu cigarro. Olha o relógio e pensa: -ela não vem. Quando se levanta vê que ela está vindo em sua direção. Um porte elegante, como um cisne na lagoa. Sua boina, seu casaco de pele, mãos finas e olhos extremamente azulados. O vento espalha um pouco dos seus louros cabelos, numa valsa a dar sentido à natureza.
Quando ela chega, o cumprimenta com três beijos no rosto. 7 está mais leve, a beleza alivia a alma. Isso é uma coisa espirituosa dos giletes. Eles se dão bem nas duas direções...

Onze é estonteantemente linda.

Ю